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Das margens do Kwanza ao Longa, do Luime ao Luinga, o Município do Libolo caracteriza-se por uma orografia de montanha que o elevam a uma altitude média de cerca de 970 metros. As principais localidades da região estão situadas a diferentes altitudes médias, sendo de destacar o Quissongo a 1220 metros, Calulo a 990 metros, Cabuta a 910 metros e a Munenga a 420 metros.
Para ocidente, seus degraus formam escadaria de montes e colinas, até à planície; para leste, pequena e vaga ondula e espraia, escorrendo nos planaltos interiores que se alongam para o continente. É nesta zona montanhosa, de transição para o planalto, que se acentua a unidade do clima, a regularidade das chuvas, a exuberância da vegetação e a riqueza das terras (1).
Esta cordoalha de serrarias que se sobrepõe da planície litoral aos planaltos, é a detentora da mais torturada paisagem de Angola, com as suas ravinas e algares, boqueirões e lombadas, encostas de curva longa e larga e vertentes de corte a prumo, numa desvairada arquitectura, plurimórfica, impressionante, esmagadora (1).
O ponto mais elevado do Libolo ergue-se a 1702 metros no extremo sul do município, na Serra da Kisala, partilhada com o município da Quibala.
Em Calulo ergue-se o famoso Quiliematogi que, no alto dos seus 1040 metros, oferece uma extraordinária panorâmica que inspira todos quantos se atrevem subi-lo. A sua magia fascinou o antigo Bispo de Angola e Congo quando visitou Calulo em 1913 que, depois de uma difícil escalada, escreveu um dos mais belos textos sobre esta montanha: “Eu aqui deveria talvez redobrar de estilo, vestir a galas todas da pena e da tinta para cantar a beleza grandiosa que contempla o mortal que conseguiu trepar àquele mirante! … e para mais, cresciam naquelas alturas umas ervas que cheiravam deliciosamente, e os musgos frescos que tapetavam e estofavam a penha, quando se corria a palma por eles, davam a sensação de um perfeito e macio veludo.”
Este é sem dúvida um dos ícones de Calulo que impressiona quem chega a Calulo, via Munenga. Do seu alto se conseguem as melhores panorâmicas sobre o centro da vila, com primeiros planos no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, no recente condomínio das Mangueiras e o no vasto Bairro do Mussafo. Imponente é também a fortaleza que foi edificada em finais do Séc. XIX num morro onde se situava então o bairro da Cacula que, segundo algumas fontes, está na origem da toponímia de Calulo.
Famosos são também os miradouros da região da Cabuta, com extraordinárias paisagens sobre as montanhas e os rápidos do Kwanza, em particular sobre as quedas de Caculo Cabaça.
As montanhas do Libolo, com seus numerosos desfiladeiros e ravinas foram também, ao longo da história, pontos estratégicos na resistência à ocupação portuguesa.
É famosa a montanha do Calundulo (na zona do Mussende de Calulo), inserida numa cordilheira quase intransponível que se estende até à beira do Cuanza, onde, num dos raros vales, se situava um ponto estratégico de passagem nas rotas de acesso a Calulo e ao antigo sertão do Bailundo. Descreve assim a sua passagem por esta montanha o antigo Bispo de Angola e Congo, D. João Lima Vidal, nas suas memórias da referida visita a Calulo: “Os princípios do Calundulo são razoáveis; o coração vai apressando paulatinamente as suas pancadas. Mas eis que o monte se levanta bruscamente e nos obriga a um exercício de pernas como quem sobe por degraus altos… Calundulo é um binário de serros em mamelon, muito parecidos efectivamente com dois seios da mesma mãe, um dos quais esconde atrás do outro o pedaço esquerdo da sua base. A subida mais fácil, ou melhor a única possível, é a marcada pela linha divisória dos dois gigantes” (2).
Os mais duros combates travados no Libolo contra as forças portuguesas, envolvendo milhares de combatentes, travaram-se nas montanhas de Pingana, a nordeste de Calulo numa zona conhecida pelo Quilumbo onde, no início do séc. XX, se situava o sobado do Quissongo. Ali se ergueram elaboradas fortificações que muito dificultaram a progressão dos militares portugueses. Esses combates estenderam-se a outras zonas do Libolo, todas elas caracterizadas por íngremes montanhas, entre as quais a Serra da Kisala e Paca do Catolo, um ponto estratégico de passagem para a actual povoação do Quissongo.
Mais a norte, perto do Kwanza, há relatos de um antigo vulcão já extinto que foi origem de crenças e mitos ancestrais do povo do Libolo.
A altitude da região, seus montes e vales, potencia uma riqueza agro-pecuária que se exprime em vários elementos dominantes, particularmente a palmeira que avançou pelos vales e serras acima e o café que encontra aqui características únicas que lhe conferem uma qualidade que pode ombrear como os melhores do mundo.
 
 
(1) A Montanha – in Boletim Geral das Colónias
(2) Por Terras D’Angola – João Evangelista de Lima Vidal
 

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